segunda-feira, 30 de maio de 2011

De 94 à 96 - Por que esses anos são importantes para os Meios de Comunicação de Massa?

"O mercado Brasileiro de Rádio sempre foi alvo de interesse de intensas pesquisas". Será mesmo? Recentemente ouvi de um professor que o panorama de pesquisas sobre o mercado radiofônico nacional sempre foi rico e com diversos dados. Comecei a questionar o fato pois no decorrer de minha monografia e de outros artigos que publiquei, senti uma imensa dificuldade em tentar mapear a realidade por trás do rádio Brasil afora. Não que o país não tenha pesquisas desenvolvidas sobre isso, Basta entrarem em papers da Intercom que vocês encontrarão diversos exemplos.

Mas comecei a questionar outra coisa também, A mudança no mercado musical e por conseguinte, no rádio com o processo de digitalização. Há alguns dias conversei com um importante pesquisador deste país, professor Dr. César Bolaño que me abriu os olhos quanto ao "gap" que existe quando comparamos cronologicamente a televisão e o rádio, não só no decorrer de sua história mas principalmente com a chegada da Internet e do avanço tecnológico.

Partiremos do contexto de que, com a Internet de massa (quando ela sai dos projetos militares, universidades e governo) uma nova esfera (pública??) surge e a demanda cresceu e assim vem crescendo. Isso ocorreu entre os anos de 1994 à 1996. Anos em que no Brasil, chega o serviço de televisão privado (Tv a cabo), surgimento de provedores como o UOL e a Internet começa a se alastrar no mundo e no Brasil.

Esses anos são tão importantes para a história do processo de digitalização dos meios de comunicação de massa quanto foi por exemplo, a televisão, e o rádio há algumas décadas atrás. Tão em conformidade faço esta afirmação que volto ao que a pesquisadora Nair Prata nos diz em um de seus artigos que, a primeira rádio na rede, surge no ano de 1994/95 nos Estados Unidos, no Brasil só apareceria aqui em 98.

Estamos em 2011 e já temos então uma linha temporal importante. O processo de produção de notícias para o rádio mudou esse período e uma das maiores mudanças com certeza se deve ao preço que pagou a indústria fonográfica. A mp3 e os diversos modelos de players e padrões digitais transformaram em pouco tempo os estúdios das rádios, exigindo uma modelagem mais precisa do profissional que se depara cada vez mais com o termo "convergência tecnológica" desde então.

É algo que devemos olhar com cuidado daqui pra frente!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O destino da Pesquisa em rádio em SE.


Fiquei feliz quando, na semana passada, uma estudante do curso de Jornalismo da UFS, me havia convidado para explicar algumas informações sobre o rádio em Sergipe. Pode parecer simples, pois como venho escrevendo sistemáticamente neste blog, a cidade de Aracaju e o Estado de Sergipe possui ávidos consumidores de rádio, talvez uma das populações que mais escuta rádio no país.

Mas estranhamente, o número de pesquisas e pesquisadores no estado é mínimo. Como também já disse por diversas postagens, então qualquer iniciativa que vise apresentar melhor a constituição do panorama radiofônico da cidade de Aracaju e do Estado é muito importante, embora ainda não tenha investigado a fundo a realidade das rádios no interior de Sergipe, acredito que deva ser tão fascinante quanto foi em Aracaju e na região metropolitana.

Ela suscitou perguntas sobre as emissoras locais, aos poucos me lembrei de meu trabalho de conclusão de curso e de todo o emaranhado interessante que ocorre nessas emissoras. Poucas pessoas sabem, mas a cidade de Aracaju possui 05 emissoras em rede na capital, dentre as quais uma trabalha em rede, mas localmente, a Rede Ilha, que possui “filiais” em alguns municípios do Interior de Sergipe.

O estado é palco de diversas rádios que englobam os mais diversos públicos, devemos ampliar o debate e fomentar a construção de novas pesquisas envolvendo o rádio em escala regional.

domingo, 3 de abril de 2011

A webrádio no Mundo e em Sergipe

A participação das webradios no mercado global de radiodifusão aumenta a cada ano. Segundo dados, do site: The Slogans Online, A webradio passou de 2005 de 40 milhões de usuários para em 2010, chegar à 180 milhões de usuários no mundo inteiro. É claro, ainda precisam ser coletados maiores dados para poder conhecer um número mais robusto, mesmo porque fica um tanto complicado a pesquisa quando o assunto é radio online.

Uma das razões é por conta de sua característica. A webradio aparece a qualquer momento na rede e pode ter um público fiel ou nenhum público. Para isso a necessidade de se refinar os padrões de pesquisa quando se trata de conhecer o perfil de consumo do usuário dessas webradios além de sua programação (entro aqui na questão das rádios que são meros playlists e de programação convencional).

Mas essa realidade não atinge somente o mercado global. Em Aracaju/SE a participação das webradios é crescente. Durante uma varredura que fiz, encontrei perto de 9 webradios com representação e relativo destaque na cidade. Algumas com mais visualizações, outras nem tanto. Mas vou citar aqui, 05 emissoras webradios que já são conhecidas: A webradio do Sindicato dos Bancários de Sergipe, da Câmara Municipal de Aracaju, do Tribunal de Justiça de SE, da AtalaiaWeb (portal Atalaia Agora), e a conhecida Rádio RCN.

A RCN foi a primeira rádio online a se instalar em Aracaju. Foi alvo de minha pesquisa durante minha conclusão de curso e é talvez, uma das mais especiais rádios do mercado Sergipano. Rádio que foge ao estilo playlist e com programação de uma emissora convencional. A RCN em 2009, conseguiu bater picos de acesso no site de aproximadamente 350 mil acessos/mês. Colocando-o como site e rádio mais ouvido no estado de Sergipe e, em determinados momentos, a mais ouvida webradio do Brasil.

Na época, duas coisas me chamaram a atenção: A primeira, que a rádio agia com transmissão de programação via acesso remoto da cidade de Boston (isso mesmo, uma “filial” da radio através de um colaborador nos EUA) que monitorava as transmissões e também realizava algumas inserções na emissora. Além do grande número de acessos da emissora.

Como se percebe, apesar de pouco tempo de existência, a webradio tem um espaço imenso de crescimento. Não só global, mas regional também. O desafio agora é tentar encontrar um meio de conviver pacificamente entre as emissoras analógicas sem que traga nenhum prejuízo para ambos os modelos.

domingo, 27 de março de 2011

O que o Brasil deve à Landell...

Na última quarta-feira (23), esteve em Aracaju o professor e Jornalista Hamilton Almeida, responsável pelo livro sobre a vida e obra de Roberto Landell de Moura. Almeida veio à cidade ministrar uma palestra sobre a importância do padre gaúcho para, não só a radiodifusão nacional, mas global em virtude dos diversos experimentos que Landell realizou antes mesmo das transmissões iniciadas por Marconi em Londres ou pelas patentes do russo, Nikola Tesla.

Landell, como lembrou muito bem Milton JUNG (2007) foi tido como maluco ao realizar diversos experimentos com a transmissão de sons através de placas de aço no Brasil que vivia em um período de diversas agitações, ainda em fins do século XIX. Em 1893, seus experimentos foram exibidos na cidade de Campinas /SP deixando parte de seus moradores boquiabertos na época.

É dedicado à Landell, a criação do Anematófono (uma espécie de telefone sem fio) na época, e por esse invento, foi registrada patente em seu nome no Brasil em 1900 e nos EUA em 1904. Como se percebe, Landell não deu início somente às transmissões de rádio, mas é importantíssimo para o desenvolvimento de aparelhos de comunicação que seriam impensáveis até então, ou, que ainda não tinham sido divulgados

O seu legado...

Landell é por diversas vezes posto no ostracismo em virtude do nome e da importância de Roquete Pinto quando se trata em falar sobre rádio no Brasil. Mas a verdade é que se não fosse por ele, talvez diversos experimentos que nós conhecemos hoje pudessem não existir. É claro que na época diversas pessoas pesquisavam e procuravam entender novas formas de aprimorar a comunicação, mas para nós, Brasileiros é importantíssimo reconhecermos que pessoas do calibre dele foram decisivas para que isso acontecesse.

O padre Gaúcho nos deixa diversas lições. Uma delas é que a necessidade de se comunicar sempre esteve inerente ao espírito humano não importa aonde houvesse um. Em um futuro onde a digitalização do som se torna uma questão de sobrevivência às emissoras, vale a pena voltar atrás e conhecer que pioneiros como Landell deram o primeiro passo para que novas formas de interação pudessem ser realizadas.

terça-feira, 22 de março de 2011

No caminho do Operador Multi-Task nas emissoras de Rádio

Já escrevi sobre esse novo “perfil” exigido pelas empresas de comunicação para o profissional. Se você ainda não conhece, vamos a uma explicação com brevidade. O profissional multi-task é o profissional multi-tarefa. Aquele que conhece, manipula, coordena as ferramentas digitais a fim de dinamizar o trabalho nas mais diversas plataformas, dando não só agilidade mais eficiência na produção de informação além de se pôr a frente da concorrência tendo no seu corpo de profissionais, pessoas com essa qualidade.

A sobrecarga do profissional é grande visto que essas exigências na certa esbarram na condição física, psicológica e financeira dos profissionais para que ele possa usufruir melhor dessa necessidade. No Brasil, tradicionalmente, a busca por melhores profissionais e a concorrência entre os iguais nas companhias produzem aberrações constantes nos ambientes de trabalho, chegando por vezes a ocorrerem abusos freqüentes.

Abusos tais como, manipular as mídias digitais, produzir conteúdos em plataformas online, impressa, televisiva e rádio, conhecer parâmetros de edição, dominar por vezes elementos que compõe conhecimentos em T.I. Enfim, são apenas alguns dos exemplos que formam o novo operador de comunicação disponível no mercado.

Não fosse somente essas atitudes, o profissional, por vezes jornalista, ou radialista ou áreas correlatas precisam cuidar de sua posição, pois podem ser realocados ou substituídos por outras pessoas sem conhecimento técnico específico. Graças à horizontalização da informação, a produção de conteúdo que trouxe a democratização também pode trazer um problema à formação profissional, algo que já vem acontecendo.

A lógica do capital infelizmente é mais imperativa. Pois ao passo que as empresas exigem do profissional não estão oferecendo recursos para que esse tipo de treinamento e capacitação ocorra, sobretudo nas empresas de comunicação radiofônica. Com a atualização tecnológica chegando aos poucos nas emissoras de rádio no país, vemos que aos poucos esse tipo de exigência vem chegando e transformando as redações das rádios no país.

O futuro, não é tão estarrecedor se na certa medidas forem dispostas. Entre elas uma melhor capacitação do profissional ainda nas faculdades, o preparo do estudante para atender as demandas do mercado além de necessário é uma forma de preparar o estudante para as adversidades que enfrentarão muitas faculdades Brasil afora precisa rever seus programas de matérias, pois a defasagem prejudica não só os alunos, como também a instituição.

Links relacionados:

sexta-feira, 4 de março de 2011

Rádio e Mídia Sonora: É tudo a mesma coisa?

Depois de 02 semanas fora da web, do trabalho e das atividades e passando um merecido descanso com minha namorada. E, como a cidadã tanto quanto eu. É uma pesquisadora e aficionada por rádio. Uma dúvida nos veio subitamente à cabeça. Nós podemos dizer que uma Mídia Sonora pode ser considerada rádio?

Tudo começou porque em voltas com a discussão sobre as Novas Tecnologias e seu impacto no rádio contemporâneo nós entendemos que as mudanças trazidas pelo advento dessas TICS desenharam um caminho perpendicular a história do rádio. Alias como o professor Medtisch (1997) disse em um de seus artigos: “O rádio não é atrasado tecnologicamente, só veio primeiro”.

Mas a razão principal de minha dúvida é quanto à função que novos elementos ou novos produtos sonoros podem ser reconhecidos como tal. Uma discussão parecida foi a que se sucedeu há alguns anos quando muitos questionaram a razão de ser de uma emissora de rádio (web), por exemplo, em que sua programação fosse musical 24hs por dia. Nisso, parecemos concordar que uma “playlist” não pode ser considerada uma emissora de rádio propriamente dita.

E quanto ao Podcast? Esse se tornou o principal foco de nossas discussões. O recurso que se popularizou, sobretudo nos portais de notícia nos deu pano para manga, embora muitos considerem que o podcast seja só uma vertente do rádio. Faço algumas ressalvas quanto à esse tipo de crença por 02 razões.

·         O Podcast é uma espécie de blog sonoro que geralmente costuma noticiar um fato ou uma opinião do interlocutor sobre determinado tema
·         O Podcast só existe no meio digital, ainda que não seja impedido a sua existência no meio analógico. Ele se distância do fato noticioso (embora possa ocorrer) vindo quase sempre como uma crítica sobre X assunto. Costumeiramente relacionado a alguma notícia do Portal, ou do Blog.

Lógico, essa é só uma visão muito particular. Ainda que não tenha penetrado mais profundamente no tema. Vejo um pano para explicações mais pertinentes aqui. Afinal: O Rádio é uma Mídia Sonora, mas nem toda Mídia sonora pode ser considerada Rádio.



sábado, 12 de fevereiro de 2011

O Rádio e a UNIT: Ensino de Radiojornalismo e Novas Tecnologias

A Universidade Tiradentes (UNIT) é a 2ª maior instituição de Ensino Superior de Sergipe. A universidade é privada e sua infra-estrutura é conhecida como uma das melhores do norte/nordeste. Hoje, a UNIT atua em diversos pólos de educação à distância em vários municípios do estado de Sergipe além de possuir uma filial, a Faculdades Integradas Tiradentes  (FITS), localizada em Maceió/ AL.

A instituição abriga também o mais antigo curso de comunicação social do estado. O Curso de Jornalismo está presente desde 1982 e foi responsável pela formação de diversos nomes do Jornalismo atual em Sergipe e fora dele. Hoje, a Unit na Coordenação dos Cursos de Comunicação agrega mais dois outros cursos: Publicidade e Propaganda além de Design Gráfico. E por contar com uma boa infra-estrutura, possui um Complexo de Comunicação Social (CCS) dotado de equipamentos que são superiores à muitas unidades televisivas do estado.

No que tange especificamente ao ensino de Rádio, ambos os estudantes de Jornalismo e Publicidade e Propaganda precisam aprender a manipular com a mídia sonora. Os primeiros, para aprender como veicular a informação e trabalhar os diversos paradigmas concernentes ao exercício do jornalismo, os últimos a desenvolver as técnicas necessárias para compreender os processos que envolvem a exploração da publicidade e do marketing inseridos no rádio e na Mídia Sonora.

Rádio e Novas Tecnologias.

A estudante do curso de Jornalismo, Iana Queiroz em entrevista me disse que o CCS vem investindo no ensino de Novas Tecnologias e trazendo a participação dos estudantes: "Lá tem dois estúdios de rádios muito bons, isso facilita muito a aprendizado, já que toda aula misturamos a prática com a teoria", disse.

“A Unit tem uma rádio "experimental". onde os alunos do sétimo período fazem parte do projeto "Notícias em 10". Todos os dias um programa de 10 minutos às 18h20”. Embora este seja um programa em fase de testes, Iana não soube exemplificar se as pautas correspondem à um serviço em conjunto com a assessoria da instituição ou livre para a escolha de pautas dos estudantes.

Para o ensino de Futuro do Rádio, A estudante havia dito que a professora de rádio já havia iniciado estudos acerca do Rádio Digital. Um ponto bem positivo. Busquei informações e entrei em contato com a professora. É muito bom manter esse tipo de iniciativa, pois a impressão que se tem é que quando se trata de Rádio e Futuro do Rádio sejam práticas inexistentes nas principais academias de Sergipe.

Para tanto, vou visitar a instituição e acompanhar algumas aulas, quero ver de perto para onde é direcionado o ensino. Quero, sobretudo, montar parcerias sobre isso. Às vezes me sinto isolado quando o assunto é discussões sobre Novas tecnologias, rádio e Mídia Sonora em Sergipe. Então qualquer iniciativa que vise trazer esse conteúdo mais próximo dos estudantes e dos sergipanos é além de muito bem vinda, necessária.